quinta-feira, 1 de março de 2012

alma rasgada

embriagar-me desse néctar puro da lua crescente
na madrugada esperar-te para sempre

nos detalhes das estrelas reviver tua magia
e sangrar galáxias afora

cortar minha garganta para engolir palavras
mergulhar profundezas de oceanos buscando uma fuga
ilusões que a vida me obriga a tragar

no retorno à realidade essa sobriedade corrupta
que me rasga a alma e derrama-se pelos meus dias

eu queria apenas qualquer resposta

sábado, 25 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O paraíso dos estranhos




pairavam abutres, em ensolarados fios vespertinos,
sob o mar, de azularados e tão motrizes desatinos;
me invade a areia, aos pés; - de um cauto descalso...
não juraram-me os anciões de longínquos mundos, em falso!

veroninas ventanias vertem vastos verdes,
vociferando velozes vorazes versos vívidos,
vindouras visões, volvendo,
universos aguardando, para sí, e suas explosões infindáveis.

verídicos cósmicos raios, de estrelas;
se espasmam dentro a mim, e pelos olhos se apercebem,
a sentir pus-me, o ressoar do inevitável,
e por astrais veredas, desconheço o que precedem,

o coro das brisas emanadas,
sonoras transmutações,
espirituais vozes encarnadas,
dentre intrincadas tantas dimensões;

extraterrenos semblantes, em silhuetas estranhas,
todos ao resguardo, deste refugio às montanhas,
enseadas de intermináveis mistérios imperscrutáveis,
magnéticas naves pairam sobre as brutas ondas indomes;

encharcadas vestes,
ainda ao corpo, calças dobradas,
o limite tornando ao encontro,
à visão; dos joelhos de arranhadas dermes,
trespassadas trilhas lembrando...
rodopia esvoaçado à fumaça,
dum cigarro, um branco albatroz,
imaginária distante alfombra
demasiado acima,
onde sequer, ouvido pode ser,
ou de seja quem for... algum pico de voz.

e a cada instante, seres mais se descortinam,
intrinsecas sensações, sob a razão, se amotinam,
correntes rompendo, sementes vingando,
a gestar, florescidos espaços unidosdíspares;
bulbo de indescobertas gamas de cores extrasolares,
provendo, o aguardo; em dita presença;...
de quem com sua face me arrancara muitos dislumbrares.

semblante do inevitável,
irremediável,
caminho
ao oculto,
o vulto
do espinho
adorado,
adornado
em venúsias
interdimensionais,
rasgando
o céu,
radiante
véu...
meu,
seu,
eu...

... sinto-me infante, ao medo perante,
trespassar um passo, nesse instante,
tornar ao explêndido vislumbre anatômico,
à perfeição do sentimento disforme,
faciais curvas de visuais vibrações infindáveis,
em espirais envolta, orgânico mecanismo espiritual,
indelével sombra de meu destino, encarnando tal.

contemplando inumeras milimétricas fendas,
... "trespassar um passo, nesse instante..."
romper minhas creditadas antigas sendas,
partir... partir ao espasmo do que é estupendo inebriante,
descobrir a formula de como se dá um vôo inalcansável,
convergir-se à barreira, explodir-se ainda ileso,
queimar-se à combustão dum precedido segundo em tudo e nada imerso.

verídicos cósmicos raios, de estrelas;
se espasmam dentro a mim, e pelos olhos se apercebem,
a sentir pus-me, o ressoar do inevitável,
e por astrais veredas, desconheço o que precedem...

veroninas ventanias vertem vastos verdes,
vociferando velozes vorazes versos vívidos,
vindouras visões, volvendo,
universos aguardando, para sí, e suas explosões infindáveis.



quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A Idade do Céu

Janela do meu quarto em um amanhecer de calma!
Não somos mais Que uma gota de luz
Uma estrela que cai, Uma fagulha tão só
Na idade do céu...



Não somos o Que queríamos ser
Somos um breve pulsar 
Em um silêncio antigo

Com a idade do céu...



Calma! Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure, 
Deixe que o tempo cure
Deixe que a alma 
Tenha a mesma idade

Que a idade do céu...

Oh! Oh!...Oh! Oh!


Não somos mais Que um punhado de mar
Uma piada de Deus, 
Um capricho do sol

No jardim do céu...



Não damos pé Entre tanto tic tac
Entre tanto Big Bang

Somos um grão de sal 
No mar do céu...


-Paulinho Moska-

domingo, 15 de janeiro de 2012

atemporal

tempo todo nosso
tempo que passa curto
corre feito louco
cão faminto que ladra e morde
sossegamos em desoportuno
castigados a ressentimentos
lembrando do futuro
em recordes de passado
nesse nosso tempo tanto
perdemos vista do mundo
cansamos de arriscar entender
por que tanto perdemos tempo

sábado, 14 de janeiro de 2012

bromélias

onde foram parar as bromélias da patagônia
lá não tem bromélia
onde foi parar a patagônia?
escondida nos cantos
lá bem longe das cercas eletrificadas
morrendo em technicolor
vivemos dias melhores
flora que floresce renasce
viveremos para sempre?
o sol não nos toca como antes
pervertido e adorável
esperar um pouco que basta
ou ficaremos para morrer de fome?
para onde se foram
as bromélias da patagônia?